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Misérias e glórias do xadrez (13)
POR CARLOS LOPES
No
match entre Anatoli Karpov e Garry Kasparov, em Moscou, 1984, depois de apenas
nove partidas, o score já estava em quatro a zero a favor de Karpov. Nem mesmo
um mês havia se passado desde o início do match – a primeira partida foi em 10
de setembro; a nona, em 5 de outubro.
Tudo indicava que o
campeão manteria o título pela terceira vez. No entanto, seguiu-se uma série
impressionante de 17 empates. Pelas regras vigentes no passado, 26 partidas com
o score de 4-0 seriam mais do que suficientes para que Karpov mantivesse o
título - e por uma das diferenças mais dilatadas de toda a história do xadrez.
Mas as regras haviam sido
mudadas – desde 1978. Não havia mais número fixo de partidas – venceria o match
quem ganhasse seis partidas, independente do número total. Em suma, aceitaram-se
as exigências de Fischer em 1975, embora nem assim ele enfrentara Karpov,
perdendo o título por abandono.
Bem mais importante do que
o autor das exigências – Fischer, como agora parece ter em parte percebido, foi
um joguete na guerra contra os soviéticos – era o significado dessa mudança de
regras: voltara-se, exatamente, à regra do match entre Capablanca e Alekhine,
travado em 1927, ou seja, 57 anos antes.
Naturalmente, já se sabia
no que redundava essa regra, quando os oponentes eram razoavelmente
equilibrados: num oceano de empates e na decisão pelo esgotamento de um dos
contendores. Uma espécie de maratona da morte enxadrística. A nova regra,
instituída quando os soviéticos voltavam a ter a hegemonia do xadrez mundial,
favorecia o desafiante contra o campeão, quanto mais não seja pelo ímpeto em
conquistar o título – ninguém é capaz de ter o mesmo ímpeto para conservá-lo,
sobretudo depois de fazer isso mais de uma vez.
Como nos antigos filmes de
Hollywood, o pistoleiro mais jovem tem muito mais gana de matar o pistoleiro
veterano, do que este de matar o mais jovem. Além disso, há uma vantagem
intrínseca de ser mais jovem. Os campeões, como é óbvio, com o passar dos anos
tendiam a ter mais idade do que os desafiantes – e vencer seis partidas, em um
match de número ilimitado, passaria a ser cada vez mais, para o campeão, algo
parecido com o suplício de Tântalo.
No caso de Karpov, pior
ainda, pois se sabia que a saúde do campeão, apesar de não alcançar os extremos
de Mikhail Tahl, não era, propriamente, o que se chama uma saúde de ferro.
Apesar disso, na 27ª
partida, Karpov venceu outra vez. Agora o match estava em 5-0. Nenhum campeão
conseguira antes uma tal façanha, sobretudo quando tinha contra si toda a mídia
mundial e, inclusive, boa parte da soviética, que torcia sem inibições por
Kasparov, assim como a maior parte da audiência que comparecia quase todos os
dias à Sala das Colunas da Casa dos Sindicatos, onde se travava o match. Bastava
mais uma vitória para que continuasse com o título.
Depois de mais três
empates, na 31ª partida, Karpov conseguiu outra vez ficar em posição superior.
Era possível tentar a vitória – e fechar o match. O próprio Kasparov,
posteriormente, admitiu que as chances de Karpov vencer essa partida eram mais
do que boas. No entanto, o campeão acabou por aceitar o empate proposto pelo
oponente e, segundo várias testemunhas, parecia “aliviado” quando o jogo
terminou. Essa partida foi jogada no dia 7 de dezembro de 1984 – portanto, o
match já durava três meses.
Na partida seguinte, a
32ª, Karpov perderia pela primeira vez.
No decorrer das 48
partidas do match – finalmente anulado pelo presidente da FIDE, o filipino
Florencio Campomanes – o campeão perderia 10 quilos e não estava mais à beira da
exaustão. Já havia passado esse limite. Quando o match foi interrompido, o score
estava em 5-3.
Porém, bem antes disso,
havia começado a cruzada. Ou, melhor, a cruzada que havia começado com o artigo
de Arrabal (ver parte 1 deste artigo), quando Kasparov nem era conhecido no
ocidente, de repente agudizou-se.
Depois da 12ª partida,
quando Kasparov propôs o empate no 21º lance, o GM Harry Golombek, um conhecido
– por desastrado – árbitro da FIDE, publicou no “Times”, de Londres, um artigo.
Segundo ele, seu preferido, Garry Kasparov, estava empatando porque os
comunistas ameaçavam a sua família, e prometiam cumprir as ameaças, se ele
vencesse o match. Hoje, que conhecemos bem a sra. Clara Kasparov, essa história
parece um delírio. E parece um delírio pela simples razão de que é um delírio.
Diante da ilustre genitora de Kasparov, o mais provável é que os comunistas
soviéticos, havia duas décadas cultivando o apaziguamento, saíssem correndo...
ALBURT
Em março de 1985 –
portanto, um mês após a última partida deste match - Lev Alburt, um desertor da
URSS que se transformara em campeão dos EUA, escreveu em “Chess Life” (a revista
da Federação dos EUA – USCF) que Karpov ingeria estimulantes durante o match.
Era isso, supõe-se, o que explicava o fato de não haver se rendido a Kasparov,
apesar do suplício de Tântalo em que a FIDE transformara a disputa do título
mundial.
A prova, segundo Alburt,
era a presença do dr. Vladimir Zukhar no match em que Karpov defendera o título
pela primeira vez, sete anos antes, em Baguio, Filipinas, contra Korchnoi. O
artigo de Alburt afirmava que, ao contrário do que se pensava, Zukhar era um
especialista em estimulantes.
Esse “ao contrário do que
se pensava” era sacado para resolver um grave problema da história de Alburt: em
1978, durante o match de Baguio, o mesmo dr. Vladimir Zukhar foi acusado de ser
um parapsicólogo da KGB, que faria parte da delegação de Karpov com a função de
hipnotizar, ou influenciar por telepatia, o seu oponente. Toda a imprensa
americana e européia havia publicado e republicado esse suposto currículo de
Zukhar. Agora, seu nome reaparecia no artigo de Alburt como especialista em
estimulantes...
Era pouco provável que
Zukhar mudasse de profissão em apenas sete anos. Mas não era isso o que Alburt
dizia: segundo seu artigo, já em 1978, Zukhar era responsável por administrar
estimulantes a Karpov. Portanto, supõe-se, estavam também explicadas as derrotas
de Korchnoi – só podiam ser porque Karpov usava estimulantes.
Porém, Alburt desertara
para os EUA em 1979. Se sabia de alguma coisa sobre Zukhar, levara seis anos
calado, enquanto a imprensa norte-americana fazia um carnaval com a história do
“parapsicólogo da KGB”. Mas Alburt poderia ter recebido informações, ou boatos,
mais recentes da URSS. No entanto, ele não se preocupou com essas minudências
conhecidas como fontes, ou com detalhes tais como critérios de verossimilhança,
esse negócio que só serve para atrapalhar a vida de propagandistas aplicados.
Em meio a uma mistura de
abacaxis com rodas de velocípedes, Alburt, porém, disse algo interessante. É
verdade que, para isso, ele torce mais uma vez o parafuso, por pouco não
ingressando no torneio de candidatos do velho Juqueri. Diz ele que Zukhar passou
a trabalhar com a equipe de Kasparov. Como podia ser isso? Quem estava
tomando estimulantes era Karpov; a prova disso era que Zukhar, que o acompanhou
no match de 1978, era “especialista em estimulantes”, e não “parapsicólogo”;
mas, agora, era com Kasparov que ele trabalhava. Por acaso, Kasparov estava
usando estimulantes? Não, segundo Alburt. Era Karpov quem usava os estimulantes.
Se o amigo leitor não entendeu, não fique preocupado. Isso não tem a menor
importância.
Mas, continua Alburt,
Zukhar havia revelado a Kasparov e sua equipe que Karpov “entraria em colapso”
se o match fosse muito longo. Logo, concluía Alburt, por isso Kasparov esticou o
match, inclusive propondo empate atrás de empate.
A história pode ser, e
era, absurda, mas não a descrição da tática de Kasparov. Foi mais ou menos – ou,
talvez, foi exatamente – o que ele fez.
Quanto a Zukhar, era
apenas um psicólogo, professor da Universidade Central de Moscou, que há longos
anos acompanhava o campeão. Somente isso (cf. Karpov e Baturinsky, “From Baguio
to Merano”, Pergamon Press, 1986).
Note-se que o
indefectível coronel Edmonson, em seu livro sobre o match de 1978, também
refere-se a Zukhar apenas como “consultor psicológico”, apesar de seu ponto de
vista ser, naturalmente, oposto ao de Karpov e Baturinsky – chefe da delegação
soviética em 1978 – no livro citado. A CIA estava, evidentemente, informada
sobre quem era Zukhar. Mas, certamente, não foi por isso que Edmonson manteve-se
fiel à verdade quanto a ele. O motivo de sua moderação ficará claro em seguida
(cf., E. B. Edmonson, “Chess Scandals: The 1978 World
Championship Match”, Pergamon Press, 1981).
MUDANÇA
Kasparov não começou o
match com essa tática. Pelo contrário, nas sete primeiras partidas jogou
nitidamente para decidir o match o mais rápido possível. Na oitava, pela
primeira vez, propôs o empate depois de apenas 20 jogadas. Mas, na seguinte,
confiando na sua preparação doméstica contra a linha pela qual Karpov optou,
reincidiu em tentar decidir logo – e o final foi ganho pelo campeão, um dos
melhores finalistas da história do xadrez.
A partir daí, Kasparov,
nitidamente, mudou. O que teria acontecido?
Somente muitos anos
depois, soube-se que seu ex-professor, Mikhail Botvinnik, num erro pelo qual
pagaria caro, havia ido em socorro de Kasparov, propondo exatamente que ele
esticasse ao máximo o match, pois, argumentou, com isto a vantagem passaria para
o lado do desafiante. Certamente que, nisso, entrava em consideração, também, a
diferença de idade. Mas não principalmente. Kasparov tinha 21 anos, mas Karpov
tinha apenas 33. Não era isso o mais relevante.
Botvinnik conhecia Karpov
tão bem quanto conhecia Kasparov. Os dois eram produtos da sua escola. No
entanto, nessa hora, preferiu um de seus pupilos contra o outro. Resta saber
porquê. Nisso temos apenas hipóteses.
Mas, antes que aventemos
essas hipóteses, resta dizer que Karpov era um excelente jogador de torneio –
até hoje, ele é o jogador que mais venceu torneios, e o campeão que durante o
seu reinado mais jogou e ganhou em torneios. No entanto, Botvinnik sabia que ele
não tinha um desempenho semelhante em matches.
Desde que ganhara o
título, após a recusa de Bobby Fischer em defendê-lo, Karpov havia mantido o
título nada menos que duas vezes – mas as duas contra Korchnoi, um jogador vinte
anos mais velho. E ele era, sem dúvida, um jogador melhor do que Korchnoi.
Este, aliás, quando
soviético, já era o mais detestado pelos colegas, basicamente por problemas de
caráter. Depois de sua deserção para o ocidente, fizera o possível para bater os
recordes de todos os anti-comunistas anteriores, juntos e somados. Sua posição
política parecia, para que os leitores tenham uma idéia, um pouco à direita do
reverendo Moon, dono do jornal favorito de Reagan, o “Washington Times”. Em
1978, até mesmo Mikhail Tahl, que geralmente não tinha inimizades, somou-se à
equipe de Karpov para ajudá-lo a derrotar Korchnoi.
(Aqui, achamos necessário
um parênteses. Alguns leitores podem estranhar a forma como nos referimos a
Alburt e Korchnoi - como desertores - apesar dos próprios americanos assim os
tratarem. Hoje, muitos que não viveram aqueles anos não têm – e não podem ter –
consciência de que havia uma guerra entre os EUA e a URSS. Não se chamou àquele
período de “guerra fria” por acaso. Talvez o adjetivo “fria” fosse inapropriado.
Mas não o substantivo “guerra”. Passar para o outro lado, e essa era a questão
de Alburt e Korchnoi, no meio de uma guerra, tem o nome de deserção, embora
possa haver nomes piores.)
O fato é que no primeiro
match com Korchnoi, em Baguio, Filipinas, onde o psicólogo Vladimir Zukhar foi
acusado de ser um parapsicólogo da KGB, Karpov não permitiu que acontecesse com
ele o que acontecera com Spassky.
Em meio a um batalhão da
mídia, Korchnoi apareceu para a primeira partida com óculos de lentes
espelhadas. Karpov reclamou que o reflexo nos óculos de Korchnoi estava
atrapalhando a sua visão (“Os óculos eram como dois espelhos, e, quando
Korchnoi levantava sua cabeça, a luz das numerosas lâmpadas sobre o tablado era
refletida nos meus olhos”, descreveu Karpov em “From Baguio to Merano”). Mas
os árbitros decidiram a favor dos óculos de Korchnoi.
Quatorze jogos depois,
Korchnoi reclamou que Karpov estava girando a sua cadeira. O árbitro dirigiu-se
a Karpov, que respondeu: “eu paro de girar, se ele tirar os óculos”. Mas a FIDE
decidiu proibi-lo de girar a cadeira.
Não nos deteremos em cada
questão ridícula aprontada por Korchnoi. Basta observar que o aparato montado em
torno do desafiante, uma campanha de mídia que repetia a história de como a
família de Korchnoi estava sendo perseguida na URSS - e ocultava o fato de que
ele é que abandonara a família - acabou ruindo depois da descoberta de dois
criminosos em sua entourage.
PROCURADOS
Eram dois pilantras,
sempre vestindo batas indianas, que eram chamados de Dada e Didi. Os nomes
verdadeiros eram Steven Dwyer e sua presumível mulher, Victoria Shepherd. Os
dois americanos eram membros de uma seita indiana denominada “Ananda Marga” e
estavam condenados a 17 anos de cadeia, por tentativa de assassinato. A seita,
aliás, tinha um símbolo muito interessante: uma estrela de seis pontas tendo em
seu interior um sol com uma suástica no centro.
Na 18ª partida, quando o
score já estava em 4 a 1 para Karpov, Dada e Didi fizeram uma palhaçada na
platéia, supostamente à guisa de meditação para neutralizar os poderes de
Zukhar. Na partida seguinte, apesar da segurança filipina querer barrá-los, a
FIDE deixou-os entrar mais uma vez.
Até o fim do match, que
durou mais 14 partidas, a presença dos criminosos foi um elemento extra de
tensão. O próprio “segundo” de Korchnoi, o GM Raymond Keene, demitiu-se em
função da presença dos dois condenados (“eu declinei de qualquer pagamento
pelo match vindo da parte de Korchnoi no prêmio e sugeri que ele doasse o
dinheiro para seus gurus da Ananda Marga” - Keene, “Karpov-Korchnoi:
Massacre in Merano”, Batsford, 1981).
Mesmo assim, Korchnoi não
se separou deles, e nem a FIDE impediu sua ação, mesmo quando seu presidente,
Florencio Campomanes, denunciou, após a 21ª partida, que sua esposa havia
recebido um telefonema ameaçando-a de morte. Estranhamente, Campomanes parecia
ter perdido o poder.
Enquanto isso, Korchnoi
apareceu na 20ª partida vestido com uma bata indiana. Depois, promoveu uma
entrevista coletiva em que Dada e Didi mostraram os exercícios de yoga que
vinham ensinando ao seu patrão.
Não é espantoso que, em
meio a essa confusão, Karpov tenha permitido que Korchnoi empatasse o match em
5-5 na 31ª partida. Porém, logo na partida seguinte, completou as seis vitórias
que fechavam o match. A atitude de Korchnoi foi não reconhecer o resultado. Mas
isso não tinha, também, a menor importância.
Três anos depois, em 1981,
o desafiante seria outra vez Korchnoi. O que demonstra que, com exceção de
Karpov, o xadrez soviético – e, de resto, o mundial – ainda não havia saído da
entressafra.
Mas, desta vez, Korchnoi
não teve a menor chance. Em apenas 18 partidas, o campeão conseguiu vencer seis,
contra duas do desafiante.
ERRO
A recuperação do xadrez
soviético devia-se, outra vez, ao fundador da escola soviética de xadrez.
Juntamente com suas pesquisas na área da informática, onde se dedicara ao que,
então, parecia impossível – elaborar um programa de computador que analisasse as
posições no tabuleiro - Botvinnik havia fundado uma escola no sentido literal da
palavra. Os dois próximos campeões mundiais seriam seus alunos, Karpov e
Kasparov, além de vários outros grandes enxadristas da nova geração. Mesmo
afastado das competições a partir de 1970 – e da disputa do título mundial a
partir do início da década de 60 – ele continuava sendo o esteio do xadrez
soviético. A falta de consideração mostrada para com ele era capaz de feri-lo,
mas não de abatê-lo – em 1970, no match URSS x resto do mundo (um evento de que
Botvinnik, com razão, não gostava), designaram para ele o oitavo tabuleiro.
Voltamos aqui à questão:
por que Botvinnik resolveu ajudar Kasparov contra Karpov?
O historiador estoniano
Valter Heuer relata uma entrevista que fez com Botvinnik em 1990. Nela,
perguntou sobre as acusações de que o velho campeão teria “instigado” a suposta
prisão de Keres. A resposta de Botvinnik foi que essa história fora abanada por
Karpov quatro anos antes – portanto, em 1986 – numa entrevista ao jornalista
alemão Bernd Nielsen-Stokkeby. Em “The Keres-Botvinnik Case”, Taylor Kingston
cita as conclusões de Nielsen-Stokkeby, após pesquisar a acusação: “Eu
considero que as palavras de Karpov são uma mentira”.
Resta saber porque Karpov
mentiu – ou, talvez, tenha apenas repetido algo que ouviu. Mesmo assim, ele
conhecia Botvinnik bastante bem – e devia muito a ele. Por que, então, fez essa
declaração?
As datas não podem deixar
de ser levadas em consideração. Teria Karpov dado a declaração ao jornalista
alemão em função de seu ressentimento pela ajuda de Botvinnik a Kasparov?
Sabe-se que Karpov não foi
um aluno fácil para Botvinnik. Durante os primeiros tempos, ele resistiu ao
aprofundamento na teoria do xadrez, o forte de Botvinnik. E também a recíproca
foi verdadeira: o jovem Anatoli Karpov, então com 12 anos, a custo suportou
Botvinnik como professor. Este, segundo alguns, subestimava o aluno.
Posteriormente, Karpov diria que o trabalho de casa passado por Botvinnik
realmente o ajudou, forçando-o a consultar livros de xadrez e a ser mais
disciplinado. Mas, nessa declaração está embutida uma certa crítica a Botvinnik,
ao se referir especificamente ao “trabalho de casa” - e nenhuma palavra sobre as
aulas e a escola propriamente dita.
Mas, terão sido esses
precoces problemas entre Botivinnik e Karpov que determinaram a decisão de
ajudar Kasparov – e a declaração posterior de Karpov? Não sabemos com certeza,
mas nos parece que há algo de verdadeiro nisso. No entanto, como veremos, havia
mais identidade entre Karpov e Botvinnik do que entre este e Kasparov. |
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